O empreendedorismo feminino no Brasil cresceu 27% nos últimos 10 anos, aponta um novo levantamento divulgado pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Até dezembro de 2025, os dados mostram que são mais de 10,4 milhões de mulheres que resolveram abrir o seu próprio negócio, com um rendimento médio de R$ 2.929,94, totalizando mais de R$ 30 bilhões por mês em renda. É o maior patamar da série histórica, apesar das dificuldades que muitas encontram pelo caminho.
Além de enfrentarem uma jornada dupla ou até tripla (estudo realizado em 2024 pela Infojobs, plataforma de classificados para vagas de emprego, revelou que 83% das brasileiras se sobrecarregam ao conciliar o trabalho remunerado com a responsabilidade desproporcional pelas tarefas domésticas e cuidados familiares não remunerados), entre outros tantos obstáculos que muitas mulheres precisam vencer, um deles é a dificuldade de acesso ao crédito para que possam investir na criação do próprio negócio.
De acordo com números divulgados pelo Serasa em parceria com a empresa de pesquisa de mercado Opinion Box, 87% das mulheres empreendedoras já tiveram ou estão com o nome negativado e 68% já tiveram pedido de financiamento recusado. Outro dado que chama a atenção é o fato de que apenas 25% dos recursos destinados a pequenos negócios chegam às mulheres, enquanto há muitas linhas de crédito que beneficiam majoritariamente o empreendedorismo masculino.
Ou seja, como em tantas outras situações, as mulheres são vítimas de uma tremenda desigualdade, até quando estão dispostas a empreender. Para elas, tudo acaba se tornando muito mais difícil simplesmente pelo fato de serem mulheres. Portanto, é importante e urgente a adoção de medidas, de políticas públicas que derrubem quaisquer barreiras que atrapalhem o caminho de quem deseja seguir pelo empreendedorismo, em abrir o seu próprio negócio, ter uma empresa para chamar de sua.
O empreendedorismo feminino tem um papel fundamental no desenvolvimento econômico e social do Brasil. Além de gerar renda, emprego e inovação, as mulheres empreendedoras contribuem significativamente para a redução das desigualdades e fortalecem a autonomia financeira feminina. Mesmo diante de todos os desafios, elas impulsionam negócios em diversos setores, promovendo crescimento, diversidade e transformação social em todo o país. Por isso, devemos sempre estimulá-las e fortalecê-las!
* Clau Camargo é advogada, autora e primeira-dama do município de Arujá, tendo coordenado a Câmara Técnica de Políticas Públicas para Mulheres do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat+) e atuado como presidente voluntária do Fundo Social de Solidariedade de Arujá.




